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O alfabeto da boa prática de Segurança – de AA a I

OS 10 PILARES DA SEGURANÇA EFICAZ–UMA FORMA FÁCIL DE MEMORIZAR
                                   Hudson de Araújo Couto
           
Os 10 pilares da boa prática de segurança podem ser memorizados através da seguinte forma mnemônica: são as 9 primeiras letras do alfabeto, repetindo-se a primeira: de A-A a I. Nenhum desses pilares é considerado mais importante do que outro, mas a falta de qualquer um deles pode comprometer muito o resultado de segurança da empresa.


A – ADMINISTRAÇÃO


Algumas das características básicas de áreas bem administradas: regularidade do processo produtivo, boa manutenção, existência de material na hora certa do processo produtivo, existência e cumprimento de regras e procedimentos, treinamento adequado de pessoal, correção de desempenho incorreto, inspeção periódica das condições de trabalho, investigação de acidentes e perdas e tomada de contramedidas para evitar nova ocorrência  têm tudo a ver com a prevenção de acidentes.

A – ANÁLISE DO RISCO

Trata-se de praticar o “parar para pensar”, de não ir fazendo a tarefa intempestivamente. Especialmente importante é a análise do risco em situações não rotineiras.

B – BARREIRAS

As barreiras transformam situações de potencial de risco de acidentes em improbabilidade de acidentes. As barreiras são de três tipos: (a) bloqueios, que são medidas de engenharia impeditivas do risco – exemplo, cadeado de segurança; (b) mecanismos de inibição do comportamento errado – exemplo, radares e câmeras; (c) medidas de gerenciamento administrativo – exemplo, os procedimentos operacionais padrão. Os bloqueios são as barreiras mais eficazes e devem ser buscados, sempre que possível. As medidas de gerenciamento administrativo também são muito eficazes, mas demandam esforço gerencial para que sejam cumpridas.


C – CULTURA DE COMPORTAMENTO SEGURO

Para se conseguir esse pilar, é necessário todo um esforço de educação das pessoas, desde o alto nível até o trabalhador. Trata-se de, gradativamente, mudar profundamente a cabeça das pessoas, criando no inconsciente coletivo de todos, dentro da empresa, uma espécie de mantra: “comportamento seguro...comportamento seguro...comportamento seguro!”, que se refletirá na ação prática das pessoas e na pressuposição dessa forma de agir como o padrão dentro daquela empresa.

D – DISCIPLINA

As regras de trabalho, os procedimentos operacionais padrão e outras medidas gerenciais relacionadas ao comportamento humano de nada valerão se não houver disciplina. Dessa forma, as medidas disciplinares são consideradas como normais e devem ser aplicadas quando indicadas. Um dos maiores objetivos em relação a esse item é que os trabalhadores desenvolvam o senso de autodisciplina.

E – ENGENHARIA

A boa prática da engenharia pressupõe segurança. Medidas adequadas de engenharia, com repercussão em segurança no trabalho, são fundamentais em pelo menos 6 momentos: (a) em novos projetos e instalações; (b) na engenharia do processo produtivo em si; (c) nos sistemas próprios da segurança –exemplo, ventilação; (d) projetos de engenharia para eliminar ou minimizar os riscos; (e) na melhoria das condições ergonômicas; (f) engenharia na prevenção dos deslizes operacionais.

F – FISCALIZAÇÃO

Aqui destacamos: (a) as inspeções periódicas; (b) as auditorias internas, feitas pela própria empresa; (c) as auditorias externas, do Ministério do Trabalho ou do Ministério Público do Trabalho. A presença de um “superego” acompanhando as condições de segurança do processo educa as pessoas e funciona como mecanismo de pressão social, importante para se obter, de forma rápida, o comportamento adequado das chefias.

G – GERENCIAMENTO DO RISCO

Deve haver uma pessoa responsável pelo processo, que irá “puxar” as atividades relacionadas à prevenção de acidentes e perdas. Faz-se uma previsão das ações que deverão ser adotadas no cotidiano da empresa e acompanha-se a execução das mesmas. Para cumprir este pilar, é necessária a atuação de profissionais organizados e de boa entrada nas áreas operacionais, inclusive para originarem resultados e estatísticas confiáveis, sem serem sabotados.

H – HIERARQUIA

“A base da pirâmide é o seu ápice!”. Essa imagem, um pouco surrealista, ilustra bem o que devemos fazer para conseguir o comportamento seguro. O alto nível da empresa e o nível de gerência operacional têm que querer segurança como prioridade em seus processos produtivos.

I – INTERDEPENDÊNCIA

Trata-se de criar uma situação em que todos, inclusive os trabalhadores, consideram acidentes como intoleráveis e a prática segura como a norma absoluta. Trabalhadores participam efetivamente de todos os instrumentos administrativos relacionados à prevenção, desde inspeções até a elaboração de normas e procedimentos e esses instrumentos só serão considerados eficazes se tiverem a participação ativa dos trabalhadores. Um bom sinônimo para esse pilar é co-responsabilidade.