|
19.08 A IMPORTÂNCIA DE SE TER UMA CLASSIFICAÇÃO DAS DIVERSAS ATIVIDADES QUANTO AO RISCO ERGONÔMICO
A definição da existência ou não de risco ergonômico é uma tarefa de alta responsabilidade, na qual se tem que aliar conhecimento científico profundo e capacidade de discernimento de sutilezas.
Ter um parâmetro para classificar as diversas condições de trabalho quanto ao risco ergonômico (semelhante ao que é feito em Higiene Ocupacional e Segurança do Trabalho) é uma necessidade atual, por pelo menos cinco motivos:
a) Na conclusão de uma análise ergonômica –sem uma conclusão quanto à existência ou não do risco, a análise fica incompleta, uma vez que a demanda seguinte é a execução de um plano de ação.
b) Informação clara e objetiva ao gerente do processo –com os conceitos de responsabilidade civil e dever geral de cautela, um gerente irá se interessar pela solução do eventual problema ergonômico de sua área quando há risco ou alto risco.
c) As mudanças previdenciárias e a inversão do ônus da prova – a caracterização correta da condição de trabalho quanto ao risco ergonômico permite aceitar ou refutar o nexo técnico automático.
d) A certificação em Ergonomia – com a edição da OHSAS 18001, em 1999, tornou-se necessária a evidência de ação técnica sobre os riscos ergonômicos, não só de forma reativa, mas também proativamente.
e) Gestão dos riscos ergonômicos – a classificação permite também à empresa definir os investimentos para redução ou eliminação destes, bem como ter metas e objetivos de melhoria ergonômica para toda a empresa ou por departamentos.
As dificuldades para a caracterização do risco ergonômico
A primeira delas é que, em Ergonomia, quase não se tem conhecimento de pesquisa invasiva, de experiências em seres humanos.
A segunda refere-se à dificuldade de isolar o fator ergonômico na pesquisa, pois muitas vezes, junto com a exigência ergonômica, há também fatores de organização do trabalho ou psicossociais; por exemplo, associado aos fatores desvio postural, força ou esforço estático (mensuráveis), costuma existir a superposição de carga mental, clima tenso de trabalho, horas extras, dobras de turno, variação dos produtos fabricados com graus de dificuldade diferentes e outros fatores, dificultando a classificação do risco, per si.
Critérios para a Classificação do Risco Ergonômico
O principal deles é o epidemiológico. Através dele, evidencia-se ou nega-se a maior incidência de distúrbios entre trabalhadores de determinada área ou na execução de tarefas de determinadas características, podendo-se então concluir quanto ao risco ergonômico.
Outro grupo de instrumentos para avaliar o risco ergonômico de determinado trabalho são os modelos ergonômicos. Destacamos especialmente três: a equação do NIOSH para determinar o Limite de Peso Recomendado em atividades de levantamento manual de cargas (1994), o modelo biomecânico computadorizado tridimensional desenvolvido pela Universidade de Michigan (ver www.engin.umich.edu/dept/ioe/3dsspp/) e o Índice TOR-TOM, de nossa autoria.
Os checklists se constituem em ferramentas complementares, que podem e devem ser usadas desde que sua aplicação seja precedida de uma análise ergonômica e que sejam aplicados com muito cuidado.
A classificação do risco ergonômico e um paralelo com a BS 8800 (1996)
Em Ergonomia, temos proposto a classificação do risco em ATN (ação técnica normal), IMP (improvável, mas possível), DDF (desconforto, dificuldade e fadiga), risco e alto risco. No quadro abaixo caracterizamos cada situação e fazemos um paralelo à classificação da BS-8800, com referência às ações administrativas recomendadas.
CLASSIFICAÇÃO ERGONÔMICA |
CLASSIFICAÇÃO EQUIVALENTE À DA BS-8800 |
CARACTERIZAÇÃO |
CONDUTA ADMINISTRATIVA |
ATN –
Ação Técnica Normal ou Sem Risco Ergonômico |
Condição Trivial |
É natural do corpo humano aquele tipo de movimento, postura ou exigência psico-fisiológica. |
Nenhuma ação técnica é requerida e
nenhum registro documental precisa ser mantido. |
|
|
|
|
IMP –
Improvável, mas Possível |
Condição
Tolerável |
Existe uma exigência ergonômica, além de uma ação técnica normal, porém há baixa probabilidade de
distúrbio ou lesão devido às circunstâncias, geralmente pela existência de algum mecanismo de regulação. |
Pode-se considerar uma solução mais
econômica ou aperfeiçoamento que não imponham custos extras. A monitorização é necessária para assegurar que os controles estão sendo mantidos. |
|
|
|
|
DDF –
Desconforto,
Dificuldade ou Fadiga |
Risco
Moderado |
Incluímos aqui: (a) as situações consideradas como causadoras de desconforto, dificuldade e fadiga;
(b) as situações consideradas como causadoras de distúrbios. |
Devem ser feitas adequações para reduzir
o risco, mas os custos de prevenção devem ser cuidadosamente medidos. As medidas de redução de risco devem ser implantadas dentro de um período de tempo definido. |
|
|
|
|
R –
Risco
Ergonômico |
Risco
Substancial |
Incluímos aqui as situações consideradas como
potencialmente causadoras de lesões. |
Deve haver um plano de ação assinado pela alta gerência para eliminar o risco. Deve ser aplicada a correção mais adequada, se necessário com orçamento garantido para tal. |
|
|
|
|
AR –
Alto Risco
Ergonômico |
Risco
Intolerável |
Situações consideradas como potencialmente
causadoras de lesões
graves e afastamentos,
inclusive pela Previdência. |
Deve haver um plano de ação assinado pela alta gerência para eliminar o risco, com recursos garantidos em orçamento. Acompanhamento periódico de sua execução. Porém devem ser instituídas imediatamente medidas visando reduzir o impacto sobre os trabalhadores da condição encontrada, seja através de rodízio, pausas ou da colocação de dois ou mais trabalhadores para executar a tarefa. |
Para consultar uma classificação bastante prática das condições de trabalho comuns quanto ao risco ergonômico (de nossa autoria), clique aqui. |