ATENÇÃO: Os cursos do Centro de Ergonomia da Universidade de Michigan foram ADIADOS
Os cursos foram adiados para o mês de novembro de 2010. As pessoas interessadas deverão entrar em contato com a Universidade de Michigan, pelos email disponível do site da Universidade, manifestando o real interesse em fazer o curso em novembro.
A equipe do Centro de Ergonomia da Universidade de Michigan irá ministrar cursos de 3 dias no Brasil (em São Paulo e em Campinas) sobre o Modelo Biomecânico Tridimensional Computadorizado e sobre o Critério da ACGIH para definir risco ergonômico para membros superiores. Assistir a esses cursos no Brasil é uma oportunidade imperdível para os estudiosos da ergonomia prática.
Curso Modelo Biomecânico: Em Campinas: 3 e 4 de maio; em São Paulo: 5 e 6 de maio.
Curso Critério da ACGIH: Em São Paulo: 7 de maio.
ERGONOMIA NA PREVENÇÃO DAS LOMBALGIAS: AS PRINCIPAIS RECOMENDAÇÕES E O CURSO SOBRE O MODELO BIOMECÂNICO DE MICHIGAN – NO BRASIL
Hudson de Araújo Couto
A Ergonomia começou no mundo em torno de 1950. Com a proposta de adaptar o trabalho ao ser humano, um dos primeiros e mais importantes desafios dos pioneiros da ergonomia foi buscar respostas e alternativas para a grave questão das lombalgias e hérnias de disco, entidades sabidamente incapacitantes, especialmente quando o trabalhador necessita usar sua coluna como ferramenta de trabalho.
As principais pesquisas sobre o assunto foram conduzidas na Universidade de Michigan, sob a orientação competente do Prof. Don Chaffin; na Universidade Columbus, em Ohio, por William Marras; e as patrocinadas pelo NIOSH, nos Estados Unidos, sob a orientação de Thomas Waters, que levaram ao estabelecimento da equação do NIOSH para o levantamento manual de cargas.
As pesquisas mais importantes foram: (a) as que mediram a tolerância à compressão dos discos intervertebrais, estabelecendo como segura uma compressão de até 3400 Newtons e como limite máximo permitido o valor de 6400 Newtons; (b) aquelas que mostraram o impacto dos braços de alavanca sobre os diversos grupamentos musculares, gerando os conceitos de torque exigido e de força reativa; (c) aquelas que determinaram a capacidade de populações trabalhadoras diante de torques exigidos; (d) aquelas que determinaram que, para o levantamento manual de cargas, o peso máximo razoável é de 14 kg se as mãos tiverem que atingir o nível do piso, 18 kg no nível da canela, e 23 kg nas melhores condições; (e) e aquelas que mostraram que os três fatores mais críticos no levantamento manual de cargas são a frequência, a distância horizontal entre a carga e o corpo do trabalhador e o levantamento assimétrico da carga.
As recomendações de ergonomia para evitar as lombalgias podem ser sistematizadas em 10 princípios:
- O corpo deve trabalhar na posição vertical.
- Quando sentado, deve haver uma boa situação mesa-cadeira-computador.
- Ser humano: adaptado para movimentos de grande velocidade, de grande amplitude, de enorme precisão, porém somente contra pequenas resistências.
- Redução do peso dos objetos a serem levantados ou carregados.
- Organizar a condição de trabalho para que as peças somente sejam manuseadas pelo princípio “PECPLOSP”,sendo P – perto do corpo; E – elevadas; C-compactas; P – pequena distância vertical entre a origem e o destino da carga; L – leves; O – ocasionalmente; S – simetricamente, sem ângulo de rotação do tronco; P – pega adequada para as mãos.
- Esforços dinâmicos, sim; esforços estáticos, não.
- Melhorar a alavanca do movimento: aumentar o braço de potência e diminuir o braço de resistência.
- Os instrumentos de controle e peças devem estar dentro da área de alcance das mãos.
- Evitar torcer e flexionar o tronco ao mesmo tempo.
- Criar facilidades mecânicas no trabalho.
Quanto às ferramentas de avaliação do risco de lombalgias, duas se destacam:
- A equação do NIOSH para levantamento manual de cargas (1994), que permite estabelecer para determinada situação de trabalho, o LPR (ou limite de peso recomendado) e, comparando esse valor com o peso real da carga, definir o IL (ou índice de levantamento), que dá uma ideia clara da existência ou não de risco ergonômico.
- O Modelo Biomecânico para Esforço Estático Tridimensional da Universidade de Michigan (3DSSPP) – essa ferramenta, estruturada em resultados de 40 anos de pesquisa do Centro de Ergonomia daquela universidade, é de extraordinário valor para analisar o impacto de esforços isolados, não só sobre a coluna vertebral, mas também sobre as diversas articulações. Partindo de uma análise detalhada da postura do trabalhador ao fazer um determinado esforço, e medindo a intensidade desse esforço com dinamômetro, o modelo, hoje sob a forma de um software muito bem construído, permite estimar a força de compressão nos discos da região lombossacra, quantificando o risco, bem como fornecendo a proporção da porcentagem dos trabalhadores capazes de fazer aquele trabalho. (ver www.engin.umich.edu/dept/ioe/3dsspp ).
A equipe do Centro de Ergonomia da Universidade de Michigan, com o apoio da Ergo, irá ministrar curso de 2 dias no Brasil sobre o modelo, no início de maio (em Campinas nos dias 3 e 4 de maio; em São Paulo, 5 e 6 de maio). Só temos que comemorar e divulgar. Para fazer esse curso e aprender essa metodologia, tive que me deslocar para os Estados Unidos algumas vezes. Assistir a esse curso no Brasil é uma oportunidade imperdível para os estudiosos da ergonomia prática. Observações: o conteúdo do curso pressupõe um conhecimento básico de biomecânica da coluna vertebral e será ministrado em Inglês.
No dia 7 de maio, em São Paulo, haverá o curso O Limite de Tolerância da ACGIH para Avaliar Trabalhos Manuais – Como Aplicar,que será ministrado por Thomas Armstrong, uma das maiores autoridades mundiais no assunto e um dos primeiros a pesquisar os aspectos biomecânicos dos DORT.
Para obter as informações detalhadas, inclusive em Português, consulte o site www.umcohse-programs.org. Lá, procure a alternativa Calendar of Upcoming Courses. A inscrição é feita on-line pelo site http://www.conferences.housing.umich.edu/training/ . |