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NORTE-AMERICANO DE MEDICINA DO TRABALHO
- " CONTRIBUIÇÕES DA ERGONOMIA, HIGIENE,
SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO PARA A QUALIDADE
DE VIDA
NOTAS DO CONGRESSO DO COLÉGIO NORTE-AMERICANO
DE MEDICINA DO TRABALHO
Hudson de Araújo Couto
Neste início de maio participei em Washington
do Congresso do ACOEM (American College of Occupational
and Environmental Medicine), que é a entidade
maior dos médicos do trabalho naquele país.
O evento teve uma pauta bastante interessante e, neste
artigo, estou passando para os colegas da Medicina,
Higiene e Segurança do Trabalho alguns dos pontos
que considero de destaque, ainda que, pela característica
de simultaneidade das sessões temáticas,
seja impossível atender à maioria delas.
01 - Medicina do Trabalho e Ambiental
Pelo próprio nome da entidade, os médicos
do trabalho dos Estados Unidos não estão
envolvidos apenas com a questão da Medicina do
Trabalho, mas também com as questões relacionadas
ao meio ambiente, o que não é comum no
Brasil. Houve uma sessão a respeito de questões
atuais relacionadas à poluição
do ar, inclusive destacando evidências recentes
de contaminantes não considerados problemáticos,
mas que foram evidenciados como tal recentemente.
Um dos temas mais importantes relacionados ao meio ambiente
foi a sessão sobre o Princípio da Atuação
por Precaução na questão ambiental
(Precautionary Principle). Esse princípio foi
estabelecido em 1998 e determina que "quando uma
atividade aumentar a ameaça de dano ao ser humano
ou ao meio ambiente, medidas de precaução
devem ser tomadas mesmo que, em alguns casos, a relação
causa e efeito não esteja totalmente estabelecida
cientificamente".
02 - A Medicina Baseada em Evidência (MBE)
Foi um dos temas mais destacados no Congresso. Trata-se
de um movimento que busca o resgate de uma base mais
científica para a tomada de decisão, tanto
na busca de meios complementares de diagnóstico
quanto nos tratamentos.
Os motivos para isso são importantes, e conforme
foi muito bem colocado pela coordenadora da mesa redonda
específica, se fugirmos das evidências
científicas, a tomada de decisão quanto
a técnicas de diagnóstico e de tratamento
médico de pacientes passa a ser por critério
de veemência e eloqüência de professores,
nervosismo com a situação e ou confiança
no próprio método, sem dados que confirmem
a validade.
A medicina baseada em evidências propõe
que os médicos devam pedir exames complementares
e prescrever técnicas de tratamento tomando como
base as probabilidades de sucesso comprovadas em meta-pesquisas
(levantamento científico de resultados de pesquisas
sérias sobre determinado assunto). A MBE trabalha
com 4 níveis de comprovação:
Nível I (o mais forte) - Ensaio clínico
randomizado (ECR) ou revisão sistemática
(RS) de ECRs, atendendo a quesitos de qualidade de pesquisa
pré-determinados;
Nível II - ECR ou RS de ECR de menor qualidade,
com desfechos substitutos validados, com análise
de sub-grupos ou de hipóteses a posteriori ou
com desfechos clínicos, mas de menor rigor metodológico;
Nível III - ECR com desfechos substitutos não
validados; estudo de caso controle;
Nível IV - Estudo com desfecho clínico,
mas com maior potencial de viés (tal como experimento
não comparado e demais estudos observacionais).
Maiores detalhes da MBE podem ser vistos no site da
organização não governamental Cochrane,
criada especialmente para a finalidade de apurar dados
científicos quanto à validade dos métodos
diagnósticos e terapêuticos em Medicina.
(www.cochrane.org).
03 - A Medicina baseada em Evidências aplicada
à Medicina do Trabalho
Os principais aspectos destacados foram:
Em exames admissionais - um dos apresentadores mostrou
uma relação muito interessante de exames
válidos e de pouco valor, destacando-se como
ponto principal que, para a grande maioria das situações,
a entrevista e o exame clínico se constituem
naqueles de maior confiabilidade, menos para a predição
de ocorrência de lombalgias;
Em técnicas de exames de imagem dos membros superiores
- foram demonstradas a real indicação
e limitação dos mesmos, tanto a ultra-sonografia
como a ressonância magnética;
Em procedimentos terapêuticos - muitos dos procedimentos
terapêuticos adotados no tratamento ortopédico
dos distúrbios dolorosos de membros superiores
não mostram valor quando se analisa a evidência:
na maioria das vezes as cirurgias em ombro e no punho
e as discectomias não mostram valor efetivo;
nesses distúrbios, também têm demonstrado
pouco valor os tratamentos fisioterápicos tradicionais,
mesmo os prolongados. Muitas das técnicas atuais
de tratamento adotadas por outros profissionais também
têm sido questionadas por meta-pesquisas.
A OSHA (agência governamental para saúde
e segurança no trabalho) também tem procurado
adotar os princípios básicos da MBE em
suas análises estatísticas, visando determinar
prioridades de atuação.
E o NIOSH (instituto governamental que visa o fomento
da pesquisa nesta área) também tem procurado
adotar os princípios da MBE ao estabelecer critérios
científicos de validação de medidas
de melhoria.
04 - Os Guidelines do ACOEM
Assim como a ANAMT tem procurado desenvolver sugestões
de condutas médico-administrativas, nos Estados
Unidos as sugestões fazem parte de um livro muito
interessante, já na segunda edição,
que aborda as recomendações da ACOEM nas
seguintes áreas: documentação médica,
tratamentos médicos, determinação
do nexo de determinada doença com o trabalho,
prevenção da incapacidade funcional e
administração desta questão, dor,
sofrimento e restauração da função,
exame por médicos independentes, dores em pescoço,
coluna, membros superiores, joelhos, tornozelos, estresse,
questões relacionadas à acuidade visual
e à fadiga visual.
Um dos pontos mais importantes do curso de Guidelines
(e também do livro) é a orientação
detalhada do que é um atendimento de qualidade
em Medicina do Trabalho.
Para os que desejarem adquirir, o nome do livro é
Occupational Medicine Practice Guidelines, second edition,
custa US$ 175,00 e o contato para informações
e compra é www.oempress.com.
05 - A questão dos trabalhadores sem condições
físicas de trabalho e seu nexo com a atividade
Trata-se de um dos aspectos mais importantes na realidade
atual dos Estados Unidos. Um dos pontos mais complicados
é determinar a causa com o trabalho. Nesse sentido,
uma das sessões mais interessantes do congresso
foi Causation, tendo sido abordados 2 modelos, em que
se analisam os fatores de trabalho, extra-trabalho,
pessoais e de hábitos de vida, orientando quanto
ao peso de cada um na determinação da
causa. Mas, ao final, a conclusão é a
mesma já conhecida no Brasil: nos casos em que
há outros fatores na origem, mas também
o trabalho, a questão do nexo com o trabalho
passa a ser um assunto político, e não
técnico.
06 - A questão dos simuladores e dos que
procuram um ganho secundário...
No Congresso, ficou nítida a preocupação
de médicos do trabalho com o aumento da intensidade
desse fenômeno, especialmente utilizando a dor
em membros superiores e os transtornos mentais como
artifício para obter benefício do sistema
de seguro, o Worker's Compensation.
O termo nos Estados Unidos é malingering, que
seria traduzido por simulação visando
um objetivo pecuniário. Chegou-se a tal intensidade
que o ACOEM, através de seu Guidelines, estabelece
uma série de orientações para lidar
com a suspeita desse tipo de conduta.
07 - A questão dos que procuram indenização
e o médico do trabalho nas perícias judiciais
Aqui, de novo, a grande discussão foi o trabalho
como causa do adoecimento. Houve uma quase-obsessão
de 3 apresentadores em 3 momentos diferentes, de apresentar
diversas situações em que o adoecimento
não era causado pelo trabalho. Em geral, os apresentadores
registravam a má documentação do
caso na origem da indenização indevida.
Em síntese, quando não se colhe uma história
pregressa correta, quando não se verifica adequadamente
o que o indivíduo faz fora do trabalho, quando
não se faz um diagnóstico diferencial
bem feito, corre-se o risco de onerar o sistema de seguro-compensação
(Worker's Compensation) com uma responsabilidade que
não seria relacionada ao trabalho.
08 - Está cada vez mais difícil conseguir
indenização: o Princípio Daubert
O nome Princípio Daubert está relacionado
a um processo que ocorreu nos anos 80 em que essa pessoa
não conseguiu seu objetivo de indenização
por se tratar de um caso novo, para o qual não
havia essa documentação científica.
Atualmente, por um julgamento da Suprema Corte dos Estados
Unidos em 1992, para que a pessoa tenha direito à
indenização por doenças relacionadas
com o trabalho, a argumentação tem que
ser baseada em 4 características: revisão
extensiva de literatura séria sobre o assunto,
argumento testado e re-testado, conhecimento científico
sólido e em geral bem aceito pela comunidade
científica. A generalização do
Princípio Daubert como paradigma vem criando
grandes dificuldades no estabelecimento do nexo com
o trabalho de fenômenos novos na literatura científica.
09 - Problemas antigos e problemas novos
Para quem pensa nos Estados Unidos como uma realidade
de trabalhadores nada expostos aos riscos ocupacionais
antigos, saibam que a conferência de abertura
do evento foi exatamente sobre a realidade do asbesto
naquele país! Lá, a exemplo do Brasil,
o asbesto não foi banido. E o conferencista (Dr.
Arthur Frank, da Universidade da Filadélfia)
apresentou em dados e em imagens situações
impressionantes e atuais da exposição
de trabalhadores ao asbesto em diversas profissões
e em diversas situações.
No outro extremo, das tecnologias super-modernas, uma
das sessões dedicou-se a estudar as nanotecnologias,
como o quartzo utilizado em microprocessadores, que
se constitui em algo só existente em países
altamente desenvolvidos tecnologicamente e para as quais
ainda não existe um consenso sobre sua toxicidade.
10 - Política na Medicina do Trabalho, sim
Para a sessão de abertura do Congresso, foi
convidado um deputado do Partido Democrata (Sr. Henry
Waxman), de passado conhecido na causa prevencionista.
E o mesmo não deixou de fazer críticas
enormes à administração Bush pela
falta de compromisso com a saúde pública
e com a saúde dos trabalhadores, especialmente
a agência EPA (Agência de Controle da Emissão
de Poluentes). O deputado citou vários exemplos
em relação ao amianto e aos níveis
de emissão de monóxido de carbono, acusando
o governo de ineficácia, mesmo diante de denúncias
de ocorrências importantes de agressões
ao meio ambiente.
11 - Os desfibriladores públicos vão
adiante?
Uma das sessões mais concorridas foi a da análise
dos AED (desfibriladores portáteis automáticos),
que hoje já são vendidos no comércio
na categoria (OOC - out of corner), ou seja, na categoria
dos produtos acessíveis ao público, independente
de prescrição médica. Uma análise
bem feita da Universidade da Pensilvânia mostrou
as grandes implicações que teria sua obrigatoriedade
nas empresas. Mas que, quando são usados, ajudam
a salvar vidas. A OSHA mostrou sua posição
de não exigir, mas colaborar na instituição
dos mesmos. A Delta Airlines apresentou sua experiência,
justificando sua existência atualmente em todas
as aeronaves. Mas um dos números marcantes (que
falam contra a sua obrigatoriedade) é que a chance
de um equipamento como esse ser usado é de uma
vez a cada 7 anos. Um membro da Associação
Americana de Cardiologia colocou o parecer técnico
da entidade, que considera os desfibriladores como um
recurso auxiliar, que não substitui o programa
de formação de leigos em ressuscitação
cardiopulmonar (este sim, um programa de baixíssimo
custo e altíssimo retorno e eficácia).
12 - Estatísticas e Dados - as prioridades
da OSHA
Conforme é de praxe nos Estados Unidos, as estatísticas
e os dados são os grandes orientadores quanto
ao direcionamento das atividades. A medicina baseada
em evidências já foi citada neste artigo.
Numa das sessões, foi apresentada a perspectiva
de modelos dinâmicos para projetar riscos à
saúde baseado nas informações estatísticas
de dados de trabalhadores acometidos por incapacidade
funcional e pelas estatísticas fornecidas pelo
serviço nacional de estatísticas da saúde.
(www.cdc.gov/nchs)
13 - Stress, qualidade de vida e os programas de
saúde ocupacional premiados
Duas sessões se concentraram no equilíbrio
entre as exigências do trabalho e a vida extra-trabalho,
destacando especificamente o lar, a família e
o crescimento pessoal, como itens importantes para a
saúde, especialmente dos gerentes. Mas, certamente,
um dos maiores problemas e um dos maiores tabus em relação
à qualidade de vida dos trabalhadores está
relacionada à alta incidência de obesidade,
conforme destacaram muitos dos conferencistas, inclusive
apresentando dados. Um congresso científico em
setembro próximo irá analisar a questão
do aumento na incidência de doenças osteomusculares
potencializadas pela obesidade.
Duas empresas tiveram seus programas premiados pela
ACOEM; numa delas, um dos pontos fortes foi a redução
de lesões relacionadas às condições
de ergonomia.
14 - MRO, drogas e motoristas profissionais
Uma regulamentação pesada existente nos
Estados Unidos está relacionada à questão
de teste de uso de drogas em geral nas empresas, inclusive
com um manual do que fazer, obrigatoriamente. Também
há uma regulamentação específica
quanto ao uso de drogas entre motoristas profissionais.
Existem manuais escritos sobre isso e o livro recomendado
pela ACOEM é MROCC'S - THE MEDICAL REVIEW OFFICER'S
MANUAL, de Swotinsky e Smith, R$ 85; consultar www.oempress.com.
15 - Desastres, terrorismo e a preparação
psicológica e de hospitais para estas situações
Duas sessões do Congresso da ACOEM estiveram
relacionadas a esse tema. Foram destaques:
O pessoal da polícia, dos bombeiros e da emergência
médica está em boas condições
de saúde?
O NIOSH apresentou e distribuiu um livro sobre a preparação
dos hospitais para lidar com a questão das emergências
graves, como aquelas associadas a atos terroristas;
Um psiquiatra apresentou aspectos relacionados ao comprometimento
da saúde mental pós-atentados terroristas.
Por fim, uma entidade governamental apresentou uma espécie
de check-list de pontos a serem verificados visando
blindar a população e os trabalhadores
quanto à ameaça terrorista.
16 - A pauta da OSHA (Agência Federal para
Saúde e Segurança no Trabalho)
Por fim, é importante destacar que a pauta atual
da OSHA foi apresentada numa sessão do congresso
do ACOEM: efeitos adversos da exposição
ao sulfeto de hidrogênio, morte por pneumonia
em soldadores, um caso de pneumonia por hipersensibilidade
num trabalhador envolvido na colheita de milho; e foram
também colocadas as estratégias de estatística
da OSHA para estabelecer prioridades na ação
governamental.
Maiores detalhes de alguns desses itens podem ser obtidos
em nosso endereço na Internet. Acesse www.ergoltda.com.br
e faça o download do artigo completo.
CONTRIBUIÇÕES DA ERGONOMIA, HIGIENE, SEGURANÇA
E MEDICINA DO TRABALHO PARA A QUALIDADE DE VIDA
Hudson de Araújo Couto
A Votorantim Celulose e Papel foi agraciada com o Prêmio
Destaque pela Associação Brasileira de
Qualidade de Vida por seu trabalho com Ergonomia. O
prêmio foi entregue dia 6 de dezembro de 2004,
na sede da FIESP e à solenidade estiveram presentes
a diretoria e alta gerência da empresa, bem como
membros dos 8 comitês de ergonomia mantidos pela
empresa desde 1999. A comissão julgadora da ABQV
percebeu o alto valor do trabalho de Ergonomia para
a qualidade de vida dos trabalhadores. Este artigo visa
esclarecer em que pontos a qualidade de vida dos trabalhadores
pode ser melhorada por um trabalho consistente de Ergonomia,
mas também destaca o papel da higiene, segurança,
medicina do trabalho e promoção da saúde.
Qualidade de vida pode ser encarada sob 4 prismas diferentes:
(a) condições mínimas de vida digna,
(b) condições do meio urbano em que se
vive, (c) qualidade de vida no trabalho e (d) aspectos
pessoais. Visando dar uma abordagem mais holística
e sistematizada a esse termo, a Organização
Mundial de Saúde propôs, em 1995, que "qualidade
de vida é a percepção do indivíduo
de sua posição na vida, no contexto da
cultura e sistema de valores nos quais ela vive e em
relação aos seus objetivos, expectativas,
padrões e preocupações". Do
ponto de vista subjetivo, qualidade de vida traduz o
grau em que as pessoas se sentem competentes para atuar
física, emocional e socialmente, julgando suas
vidas dignas de serem vividas.
A OMS propõe então 24 facetas da qualidade
de vida agrupadas em 6 domínios:
Área 1 - Domínio Físico
- Ausência de dor e desconforto
- Energia e ausência de fadiga
- Sono e repouso
Área 2 - Domínio Psicológico
- Sentimentos positivos
- Pensar, aprender, memória e concentração
- Auto-estima
- Imagem corporal e aparência
- Ausência de sentimentos negativos
Domínio 3 - Nível de Independência
- Mobilidade
- Atividades de vida cotidiana
- Independência de medicação e
tratamentos
- Capacidade de trabalho
Domínio 4 - Relações Sociais
- Relações pessoais
- Suporte (apoio) social
- Atividade sexual
Domínio 5 - Meio Ambiente
- Segurança física e proteção
- Ambiente no lar
- Recursos financeiros
- Cuidados de saúde e sociais: disponibilidade
e qualidade
- Oportunidade de adquirir novas informações
- Participação e oportunidade de recreação
e lazer
- Ambiente físico: poluição,
ruído, trânsito e clima
- Transporte
Domínio 6 - Aspectos espirituais, religião,
crenças pessoais
Espiritualidade/ religiosidade/ crenças pessoais.
As áreas de Medicina, Segurança, Higiene
e Meio Ambiente têm o potencial de atender a pelo
menos a 15 dessas 24 facetas, a saber:
Um bom sistema de assistência médica proporciona
às pessoas cuidados de saúde, ausência
de dor e desconforto, além de uma eficaz prevenção
ao adoecimento.
Uma eficiente área de higiene ocupacional irá
lidar especialmente com a questão do micro-ambiente
de trabalho, reduzindo na fonte os aerodispersóides
e controlando os altos níveis de ruído
dos processos produtivos.
Uma eficiente área de controle do meio ambiente
irá cuidar do ambiente externo à empresa,
dentro de determinados limites, é claro;
Uma eficiente área de segurança do trabalho
irá garantir que, pelo menos durante o tempo
disponível para a empresa, o indivíduo
terá um nível adequado de segurança
e não sofrerá acidentes (é bom
lembrar que, de fato, nas empresas dotadas de trabalhos
eficazes de segurança, o trabalhador costuma
estar muito mais seguro dentro da mesma do que fora
de seus muros).
Deve-se, ainda, dar o crédito à promoção
de qualidade de vida nos demais aspectos não
dependentes do trabalho, tarefa que comumente nos cabe,
enquanto médicos do trabalho, fazer:
Os programas de condicionamento físico, combate
e prevenção ao tabagismo e controle da
obesidade propiciam uma qualidade de vida melhor, especialmente
após os 45 anos de idade;
O controle dos fatores de risco de enfarte retardam
as doenças coronarianas, contribuindo para diversos
dos itens definidos pela OMS em qualidade de vida;
E certamente o trabalho de prevenção do
câncer e sua detecção precoce também
estará contribuindo para uma vida de boa qualidade.
Mas é o trabalho de Ergonomia aquele que mais
faz diferença em termos de qualidade de vida
dos trabalhadores. A rigor, quando se encaram os desafios
existentes na forma de realizar o trabalho, buscando
e corrigindo as situações causadoras de
afastamento, de dor, de desconforto, de dificuldade
e de fadiga excessiva, melhoramos enormemente a qualidade
de vida dos trabalhadores, pois:
Elimina-se a dor ou desconforto na realização
do trabalho;
O trabalhador deixa seu trabalho sem fadiga excessiva,
podendo ser cidadão nas horas que está
fora da empresa;
Trabalhando-se num sistema adequado de revezamento de
turnos, seu sono será pouco prejudicado, bem
como seu repouso será preservado;
Sua imagem corporal e aparência, embora não
dependam só desse fator, não sofrem o
desgaste precoce, conseqüência comum dos
trabalhos não ergonômicos;
Garante-se uma boa mobilidade e um bom estado de saúde
para as atividades de vida cotidianas;
Previnem-se os tratamentos médicos e a dependência
de medicamentos, próprios dos transtornos músculo-esqueléticos
crônicos e dos distúrbios mentais;
Preserva-se a capacidade de trabalho do cidadão,
o que é um dos itens mais importantes na tendência
atual de aposentadoria em idades mais avançadas;
As soluções ergonômicas sabidamente
melhoram as relações pessoais, sendo uma
forma importante de solução de alguns
tipos de conflitos, próprios das relações
de trabalho;
E numa abordagem mais atual, a Ergonomia se preocupa
também com a questão da qualidade de vida
no trabalho (aqueles fatores que, uma vez presentes
na atividade laborativa, são os responsáveis
pelo gostar do trabalho), repercutindo-se então
em pelo menos 3 itens do domínio psicológico
(sentimentos positivos, auto-estima e ausência
de sentimentos negativos), bem como contribuindo para
a saúde mental.
Os argumentos acima colocados certamente justificam
a constatação freqüente de ser um
trabalho sistemático de Ergonomia considerado
pelos trabalhadores como de alto valor e um dos motivos
de satisfação com a empresa.
Os itens de Ergonomia que estarão mais presentes
na agenda das empresas nos próximos anos são
os seguintes:
1. Dar respostas às questões ergonômicas
relacionadas à reestruturação produtiva;
2. Prevenir eficazmente as doenças relacionadas
às condições de ergonomia, levando
a empresa a considerar esse item tão importante
quanto a prevenção de danos ambientais;
e tratar eficazmente o trabalhador acometido, retornando-o
aos postos de trabalho melhorados, o mais rapidamente
possível;
3. Lidar eficazmente com a demanda do Ministério
Público do Trabalho;
4. Prevenção de indenização
pelo dano;
5. O enfoque na organização do trabalho
e na gestão;
6. O enfoque na qualidade de vida no trabalho;
7. O enfoque na saúde mental no trabalho;
8. Enfoque na empregabilidade: a questão do gênero,
da idade e das pessoas portadoras de deficiência
física;
9. O fator ergonômico na prevenção
de acidentes.
Estes temas foram tratados no Informativo Ergo nº
71, de outubro de 2003.
O texto encontra-se em nossa seção de
Informativos.
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