OS 10 MANDAMENTOS PARA IMPLANTAR UM
SISTEMA DE
GERENCIAMENTO DE SEGURANÇA EFICAZ, CONSISTENTE
E COMPATÍVEL COM A COMPLEXIDADE DOS TEMPOS ATUAIS
Hudson de Araújo Couto(*) Giandomenico Angioletti(**)
1ª Parte: Do "ato inseguro" aos sistemas
de gestão e as falhas comuns dos mesmos
Até meados dos anos 80, sempre que acontecia
um acidente, dava-se somente importância à
identificação do responsável pelo
ato inseguro. Decorrente disso, criou-se a época
da caça às bruxas, definiu-se que a responsabilidade
básica da segurança era do engenheiro
e do técnico de segurança, sendo esses
profissionais vistos como um mal necessário ou
como uma absurda exigência imposta pela legislação
que somente atrapalhava e dificultava as operações.
Isto somente servia para gerar conflitos e frustrações
de toda espécie e para todos, além de
criar a falsa impressão de que tudo estava perfeito.
As mudanças culturais trazidas pela Prevenção
de Perdas, Qualidade Total, BS-8800, globalização
e pela pressão social exercida pela sociedade
como um todo (Governo, entidades de classe e mídia),
exigiram reflexões mais profundas a respeito
do entendimento de que atos inseguros somente representavam
as causas imediatas do acidente e que isso era, na grande
maioria das vezes, um sintoma de algo relacionado com
alguma falha administrativa.
No mundo adiantado, duas referências passaram
a ser as determinantes de ações preventivas:
as normas ISO e as BS, especialmente a BS-8800. Em conseqüência,
proliferaram os sistemas de gestão da segurança,
que representaram uma enorme evolução.
No entanto, na nossa vivência com sistemas de
gerenciamento de segurança, temos encontrado
alguns problemas que acabam resultando em mau funcionamento
e recrudescimento do número de acidentes do trabalho.
E que costumam deixar as empresas perplexas, diante
de acidentes, com os quais não se contava.
Pela nossa observação, os principais problemas
causadores de acidentes na vigência dos sistemas
de gestão são:
Perda do controle do risco intrínseco do processo
- é a causa mais freqüentemente associada
a acidentes graves (explosões e outros); não
há como negar a existência de alto potencial
de risco intrínseco em determinados processos:
acearias, atividades de mineração, fábricas
de alumínio, exploração e processamento
de petróleo, aviação, sistemas
de geração e distribuição
de energia elétrica e outros. Nos últimos
tempos, assistiu-se no mundo a um enorme enxugamento
das áreas técnicas das empresas, com perda
da memória técnica, associado a degradação
de sistemas de trabalho, inexistência de tempo
para análise de risco e elaboração
de práticas-padrão para operações
complexas, especialmente as de manutenção,
a uma terceirização nem sempre calcada
na capacidade, a desafios de prazos cada vez mais apertados
para a implantação de projetos e a uma
valorização da ousadia e ridicularização
da prudência. Pode o leitor, naturalmente, perceber
os efeitos potencialmente gravíssimos dessa conjugação
de fatores.
Certificação ISO colocada como fim
- costuma originar uma série de procedimentos,
documentos e ações somente ligados à
certificação, e não à finalidade
da segurança.
Excesso de documentos - é outro erro inerente
aos sistemas de gestão, ocasionando uma carga
de trabalho administrativo enorme, especialmente das
áreas de produção, com desânimo
das pessoas, e falta de tempo para as atividades fins
(os meios se tornam mais importantes que os fins).
Descontinuidade de ações - não
há como parar de respirar; da mesma forma, não
há como parar com as atividades de prevenção
de acidentes; reuniões mensais de acompanhamento
que não se realizam, auditorias adiadas, inspeções
postergadas, prestação de contas junto
à diretoria deixadas para depois, são
todos motivos que levam a uma quebra na seqüência
de atividades prevista no sistema de gestão.
Permissividade - continua sendo o grande fator
a gerar atos inadequados. Ela é caracterizada
pela não abordagem do trabalhador ou da gerência
que comete atos inadequados ou é negligente,
especialmente quando comportamentos fora da conformidade
podem resultar em aumento imediato da produção.
Evitar entrar em conflitos é outra causa importante
da permissividade. É importante lembrar que a
permissividade tem três filhas: a imprudência,
a negligência e a corrupção.
Falta de um sistema que identifique tendências
precoces a acidentes e perdas - acidentes ocorrem
e sua análise costuma deixar a desejar; embora
se conheça bem a necessidade de analisar e investigar
os acidentes, quase-acidentes e quase-perdas, rarissimamente
encontra-se uma empresa (com qualquer sistema de gestão
de segurança) que as analise de forma sistemática;
assim, perdem-se informações valiosas
visando a prevenção de novas ocorrências,
iguais ou similares.
Subserviência do pessoal de segurança
do trabalho - uma regra básica em qualquer
sistema que vise o bom funcionamento de variáveis
críticas, como a segurança das pessoas
e dos processos, é a existência de alguma
forma de superergo. O superergo pode ser uma auditoria
externa, mas o superego inerente às empresas
é a própria área de segurança
do trabalho. Nos últimos tempos, com alguma frequência
temos encontrado engenheiros de segurança (e
consequentemente técnicos de segurança)
subordinados ao gerente operacional, numa clara situação
de intimidação implícita, que compromete
o papel de olho e consciência inerente a esses
profissionais.
Comitês e sistema de gestão incompetentes
administrativamente - ao contrário do que
se pode imaginar à primeira vista, não
é tão simples manter um sistema de gestão
funcionando administrativamente bem. A perda mais frequente
é a descontinuidade de assuntos que demandam
longo tempo e estudos complexos visando a sua solução.
Eles são deixados na "administração
pelo gerúndio" (estamos fazendo, estamos
analisando), e vão ficando para trás,
constituindo-se em risco permanente, até que
ocorre o acidente.
Não balanceamento entre lastro e vela
- se um navio tiver lastro demais, tornar-se-á
moroso e inadequado para navegar, se tiver vela demais
e pouco lastro, bem, lembremo-nos do vexame da nau capitânea
por ocasião da comemoração dos
500 anos do descobrimento do Brasil. Essa situacão
hoje é frequente nas empresas: as áreas
de segurança costumam ser encaradas como lastro
demais, como dificultadoras, (olhe que algumas vezes
isso é verdade, num apego sem sentido a regras
e rituais desprovidos de uma base estatística
ou técnica ou mesmo bom senso que o justifique);
o contrário disso é exatamente a vela
excessiva, sem lastro, que costuma ser a atitude de
muitos gerentes que, no afã de produzirem, deixam
de considerar alguns cuidados importantes, correndo
riscos.
Soluções rápidas - essa
é uma armadilha própria dos tempos atuais
de trabalho de alta densidade: não se envolve
a fundo nos problemas, não se procura a solução
detalhada, trabalha-se na superficialidade e, consequentemente,
corre-se o risco de adotar soluções inadequadas.
No fundo, no fundo, o trabalhador é o culpado
- por incrível que pareça, essa forma
de pensar, própria de 25 anos atrás, da
época do famigerado "ato inseguro",
ainda continua sendo valor para muitos gerentes, supervisores,
facilitadores e técnicos, mesmo em empresas que
usam sistemas de gestão.
2ª Parte: Os 10 Mandamentos visando a eficácia
dos Sistemas de Gestão da Segurança nos
tempos atuais
1 -Considere profundamente os fatores humanos envolvidos
na atitude segura, bem como na propensão para
o acidente
Este é o primeiro e mais importante mandamento!
Ele pressupõe uma revisão crítica
de todos os enfoques supersimplicadores de atribuir
a causa da maioria dos acidentes ao ato inseguro do
trabalhador, procurando-se perguntar também,
pelo menos o seguinte:
O trabalhador tinha o conhecimento necessário
para realizar a tarefa?
Havia uma tolerância implícita com
atitudes inadequadas, incorretas, mas que eventualmente
resultavam em aumento da produtividade?
Houve transferência de responsabilidade?
O trabalhador tinha a condição
material, de tempo, de am-biente, para realizar a operação
de forma adequada?
Assim, há que se trabalhar na assimilação
por todos (inclusive pelos engenheiros, supervisores,
facilitadores e também pelos operadores) dos
seguintes valores:
A importância de não se deixar o
trabalhador num conflito de interesses ou em situações
ambíguas e nebulosas (por exemplo, pressa versus
perfeição e segurança);
Nunca adotar práticas ou posturas que
induzam o trabalhador a atitudes inadequadas;
Adotar a regra da chapa quente sempre, para todos,
sem exceção; (a regra da chapa quente
é uma comparação muito feliz à
regra básica de abordagem dos comportamentos
fora da conformidade: quando você toca numa chapa
quente, você se queima; assim também, qualquer
um que cometesse um deslize de comportamento, um comportamento
fora da conformidade, deveria ser abordado e advertido,
qualquer que fosse o seu nível);
Valorizar o exemplo das chefias e dos facilitadores,
especialmente no que se refere a atitudes corretas,
seguras, comprometidas com o fazer certo;
Estudar preventivamente as pessoas que excedam
os limites de forma perigosa ou que estejam apresentando
sinais precoces de desvio de atitude (comportamento
compulsivo);
Passar valores de comportamento profissional
correto, para todos;
Considerar que, em situações de
risco profissional, a única forma realmente eficaz
de garantir atitudes corretas, é a certeza da
habilidade;
Considerar que é normal a perda da habilidade
com o tempo, daí a importância de programas
periódicos de reciclagem; e que para a eficácia
da reciclagem, é necessário técnicas
mais desafiadoras de ensino;
Preparar bem a média gerência;
Considerar que o ser humano precisa ser acompanhado
quanto ao seu estado psíquico, que tende a se
deteriorar em situações comuns do cotidiano,
tornando-se nestas condições, inapto para
trabalhos perigosos;
Considerar a coerência no trato de assuntos
de pessoal como uma das regras mais importantes visando
um gerenciamento eficaz de pessoas no trabalho;
Manter o mastermind "prática segura"
na cabeça das pessoas;
Acostumar-se a ter bom senso na relação
lastro e vela; no caso de dúvida, favorecer as
decisões colegiadas;
Acostumar os trabalhadores para com a motivação
correta;
Acostumar todos com a máxima: "fazer
correto é também fazer de forma segura";
a segurança está implícita na prática
correta.
Considerar a necessidade não só
de treinamento, mas também de formação
das pessoas. Lembrar-se que formação é
a somatória de treinamento e educação;
no treinamento, ensina-se como se faz, na educação
ensinam-se comportamentos corretos.
Considerar que, se se quer realmente uma mudança
eficaz, uns 20% dos facilitadores e gestores terão
que ser trocados.
Considerar o profundo envolvimento dos trabalhadores
na elaboração das regras de trabalho,
das práticas padrão, fluxogramas e outros
instrumentos administrativos, considerando a importância
da participação dos mesmos, saindo da
postura elitista de ser exclusividade dos engenheiros
fazer as regras de trabalho.
2- Garanta o comprometimento da alta gerência
da empresa
É importante lembrar que a base da pirâmide
é o seu ápice. Processos de qualidade,
de segurança, de ergonomia, de gestão
do meio ambiente e outros somente têm chance de
vingar e colocar a empresa no rumo da melhoria contínua
se tiverem o comprometimento dos níveis superiores.
Sem o comprometimento (que é diferente de apoio)
da alta administração não é
recomendável dar início ao estabelecimento
do processo de implantação do Sistema
de Gestão. Observação importante:
a estratégia de criar uma massa crítica
subjacente para depois obter o posterior comprometimento
do topo é o caminho mais curto para que a idéia
seja abortada pela alta gerência.
É importante que a alta gerência tome
conhecimento do hexágono do erro humano, que
assimile a necessidade de controle absoluto sobre o
risco intrínseco do processo, que assimile o
compromisso de revisar periodicamente o andamento do
processo de prevenção de acidentes e perdas
e que compartilhe de alguns valores fundamentais. Entre
esses, destacamos:
O acordo de que na origem dos acidentes existe
alguma forma de falha administrativa, e que o caminho
da prevenção dos acidentes é através
de uma melhor performance administrativa dos gestores,
da média gerência e dos facilitadores;
A noção de que prevenir acidentes
é uma forma de prevenir perdas. E que o enfoque
maior deva ser na prevenção de perdas,
nos seus diversos aspectos.
A noção da necessidade do balanceamento
entre lastro e vela e de que algumas atitudes consentidas
de níveis superiores podem induzir a alta e a
média gerência a serem ousadas de forma
irresponsável.
A noção do longo caminho curto
- isto é, que resultados consistentes nessa área
vão ocorrendo gradativamente, por mudança
de valores (que se refletem em mudanças de atitudes)
- caracterizando a "empresa escada" - e que
propostas imediatistas quase sempre resultam em fracassos
e no retrocesso do curto caminho longo, com retrabalhos
e retomadas ("empresa serrote").
3 - Garanta controle absoluto sobre o risco intrínseco
do processo
Isso pressupõe voltar a investir na qualidade
dos técnicos de processo, dos que detêm
controle técnico das máquinas, com estudos,
atualização através de congressos
e benchmarks, conhecimento de experiência de perdas
e acidentes graves naquele tipo de processo. (Historicamente,
a revisão frequente de perdas ocorridas, de acidentes
graves de outras empresas, de danos ambientais importantes,
funciona melhor para manter vívida a lembrança
de como fazer certo do que a exortação
de sucessos). Pressupõe ainda preparar uma documentação
de evidência dos riscos inerentes ao processo
(de forma a manter esse controle no caso de perda de
pessoas do corpo técnico), bem como que esse
pessoal deva estar capacitado não só tecnicamente,
mas também que sejam pessoas de bom senso e que
possam tomar atitudes responsáveis, não
apenas contraindicando operações quando
perceberem riscos não controlados, mas também
liberando operações diante de situações
controladas. Um bom exemplo, para comparação,
é com o comandante da aeronave, que, dotado de
um conhecimento profundo das condições
mínimas de viagem (tanto metereológicas
quanto do equipamento), tem a autoridade final para
definir se a viagem ocorrerá ou não.
Também muito importante é desenvolver
bloqueios em situações que favorecem o
erro humano por deslize.
É também fundamental estudar as condições
ergonômicas para a realização das
atividades, especialmente daquelas de manutenção
e limpeza, bem como das condições de trabalho
manual, neces-sários quando ocorre falha dos
equipamentos automáticos.
4 - Trabalhe com instrumentos eficazes
Os 10 instrumentos mais eficazes para prevenir acidentes
do trabalho e perdas em geral são:
Sistema gerencial de análise dos acidentes,
dos quase-acidentes e perdas, sinalizando prioridades
de ação
Inspeção periódica planejada
formal das instalações da empresa
Regras de trabalho
Práticas-padrão
Orientação a novos e novos na função
Metodologia de análise e solução
de problemas
Capacitação e habilitação
formal para tarefas em que a responsabilidade profissional
seja o principal determinante de atitudes corretas
Permissão para tarefas especiais
Análise periódica de desempenho
de todos os facilitadores, gestores e trabalhadores,
formulando planos de ação visando corrigir
os desvios detectados no desempenho esperado
Reuniões periódicas da equipe.
5 - Crie e mantenha a estrutura organizacional compatível
com a Prevenção de Acidentes e Perdas
O Sistema deve estar suportado por uma estrutura organizacional
em três níveis, a saber:
Institucional, representado por um Comitê
Diretivo, onde são definidas as políticas
e diretrizes necessárias à perpetuação
do Sistema.
Organizacional, representado por Comitês
Executivos, onde são definidos os planos de ação
necessários para o estabelecimento das políticas
e diretrizes definidas pela alta administração.
Operacional, representado por Unidades Gerencias
Básicas, onde os planos de ação
são estabelecidos. Nos comitês operacionais,
deve-se ter, necessariamente, a presença dos
representantes dos trabalhadores na Cipa.
As reuniões de todos os 3 níveis são
previstas em calendário e devem, obrigatoriamente,
ocorrer. Além disso, forças-tarefas assumem
o estudo de problemas específicos nas áreas.
É fundamental deixar o pessoal de segurança
do trabalho com independência hierárquica.
Também fundamental é fazer auditoria periódica
dos processos, com auditores independentes.
6 - Trabalhe com indicadores de resultado atingíveis,
porém controle o processo, e não os indicadores
Importante, ao dar início ao processo de implantação
do Sistema, é definir quais as metas relativas
aos indicadores de resultados que pretendemos alcançar.
É hora de deixar de lado as idéias das
taxas zero de acidentes e definir metas atingíveis
por seres humanos médios. É muito mais
lógico controlar o andamento do processo, dos
cronogramas, da implantação das regras
de trabalho, das práticas-padrão, das
análises de desempenho, e das reuniões
periódicas da equipe e das demais ferramentas
de prevenção de perdas. O resultado virá,
naturalmente. Em prevenção de acidentes
e perdas aplica-se inteiramente a máxima da previsão
em si mesmo realizável: se temos um bom sistema
de gestão, as coisas vão se acertando
e a empresa passa a viajar em céu de brigadeiro,
como uma conseqüência do sistema de gestão
eficaz.
7 - Harmonia com TQC, ISO, BS, etc
Parece óbvio, mas um Sistema de Gerenciamento
da Segurança deve estar em harmonia com os demais
processos de qualidade existentes, aproveitando o potencial
de seus instrumentos, complementando-os com as necessidades
de segurança presentes em qualquer processo produtivo
e/ou administrativo. Afinal todos os processos de qualidade
têm como indicadores a qualidade intrínseca
do produto ou serviço, o custo do mesmo, o atendimento
ao cliente externo ou interno, o moral do grupo responsável
pelos resultados e, finalmente, a segurança deste
grupo.
8 - Leve o Sistema de Gestão como Processo,
e não como Programa- isso é um dos itens
de garantia da perpetuação do mesmo
Se desejamos a perpetuação do processo
temos que construir uma empresa-escada em lugar de uma
empresa-serrote, como definido por Falconi Campos; para
tanto temos que rodar o PDCA da seguinte forma:
Identificar os instrumentos necessários
ao Sistema, tendo cuidado com o excesso de papel;
Planejar o emprego dos instrumentos ao longo
do processo;
Auditar se os instrumentos foram empregados conforme
planejado;
Avaliar os resultados obtidos pela auditoria;
Corrigir os desvios.
Como os resultados iniciais são mais fáceis
de serem obtidos, com o passar do tempo, acostumados
com o entusiasmo inicial, achamos ter alcançado
a perfeição. Aí é a hora
de saber que as nossas taxas deverão sempre tender
para zero. Sempre é possível melhorar.
9 - Acidentes como Perdas
O Sistema de Gerenciamento da Segurança, para
que seja eficaz, tem que tratar o acidente com lesão
humana como perda, bem como abranger os demais tipos
de perdas, tais como: na propriedade (equipamentos e
instalações), no processo produtivo e/ou
administrativo e perdas no meio ambiente. Assim sendo,
para o estabelecimento de um bom Sistema de Gerenciamento
da Segurança, o melhor caminho é a implantação
do Processo de Prevenção de Perdas.
10 - Paradigma da falha administrativa
Na análise dos acidentes, o modelo causal sempre
nos leva para a origem da perda, apontando-nos uma ou
mais falhas administrativas. O sucesso do sistema de
gestão de segurança reside na aceitação
deste paradigma. Sem essa aceitação, como
mais de 90% dos acidentes têm como causa imediata
o ato inadequado, sempre iremos atrás de um culpado
e a falha administrativa, que deu origem ao acidente,
permanecerá.
Conclusão
Os Sistemas de Gestão da Segurança cumpriram
uma etapa importante desde a época em que foram
implantados nas empresas (meados dos anos 80) até
os tempos atuais. No entanto, também sobre eles
é necessário aplicar a melhoria contínua.
Ela vem com a identificação dos principais
aspectos de falhas dos mesmos (Parte 1 deste artigo),
especialmente num trabalho de auto-análise a
ser feito por cada empresa, e, a partir daí,
adotar uma correção de rumos e um aperfeiçoamento
do sistema. Os 10 principais pontos que consideramos
fundamentais nos tempos atuais são aqueles relacionados
na Parte 2 deste artigo. Para uma empresa que ainda
não tenha Sistema de Gestão da Segurança,
deve-se iniciar já considerando os 10 Mandamentos
aqui citados.
(*) Hudson de Araújo Couto é Médico
do Trabalho e Doutor em Administração;
Diretor Técnico da Ergo
(**) Giandomenico Angioletti é engenheiro, com
experiência anterior em gestão de segurança
e meio ambiente em empresas mineradoras; coordenador
do núcleo de Processo de Prevenção
de Perdas da Ergo.
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