Neste Número:
" MECANISMOS DE REGULAÇÃO: UM DOS
GRANDES DIFERENCIAIS NA EXISTÊNCIA DA LESÃO
ERGONÔMICA "
" DICAS PARA VOCÊ CONDUZIR O TREINAMENTO DE
ERGONOMIA EM SUA EMPRESA "
MECANISMOS DE REGULAÇÃO:
UM ASPECTO SUTIL E DE GRANDE IMPORTÂNCIA NA REALIDADE
DE TRABALHO
Hudson de Araújo Couto
Uma das atividades de maior impacto biomecânico
que pude ver nos últimos tempos foi a tarefa
de fazer a fuselagem de uma aeronave: enquanto um trabalhador,
na parte de cima da futura aeronave, em posição
bastante incômoda, utilizava uma arrebitadeira
pneumática para passar o rebite até a
parte interna, do lado de dentro outro trabalhador estendia
ambos os braços contra o alto da fuselagem e
firmava um "entortador" de arrebites para
cima, fazendo força, para que o mesmo se expandisse
prendendo firmemente, garantindo a segurança
da fuselagem. Altíssima força fazia esse
trabalhador. Altíssima exigência com os
braços acima do nível dos ombros. E ninguém
daquelas turmas de trabalhadores desenvolvia lesão.
Por que? Porque havia um terceiro em cada turma, que
executava tarefa de baixíssima exigência
biomecânica imediatamente após ter feito
a tarefa de alta exigência. Os três, formando
um time, regulavam o próprio trabalho.
Por diversas vezes na atividade de consultoria nos
deparamos com situações como essa, em
que o risco biomecânico da tarefa é muito
alto e, paradoxalmente, encontramos uma baixa incidência
de lesões ou distúrbios de músculos
e ligamentos. Quando se procura a razão de tal
ocorrência, geralmente nos deparamos com as seguintes
explicações principais:
Fala
do tipo: "eu posso regular" ou "a gente
controla".
Variações
na forma com que o trabalhador executa sua atividade
- assim, é comum encontrar pessoas, geralmente
os mais experientes que adquirem determinadas "maldades"
ou "jeitos" de realizar o trabalho que praticamente
os livra de lesões e distúrbios.
Flexibilidade
em alguns pontos chaves, por exemplo, quando à
possibilidade de se executar determinada pausa ou atividade
mais leve quando a carga de trabalho está muito
alta ou a sobrecarga bastante intensa.
Alguma
pessoa a mais para ajudar a diminuir o impacto de tarefas
de maior sobrecarga.
Outras
formas de flexibilidade, especialmente quanto a horários,
prazos e cobrança.
Efetivamente, temos sustentado ao longo dos anos que
uma das palavras que mais parecem com Ergonomia é
flexibilidade. Flexibilidade na postura no trabalho
(alternância entre trabalho de pé, trabalho
sentado e andando), flexibilidade com a cobrança,
com os horários, com o arranjo do posto de trabalho,
com as regras, horário flexível, enfim,
com uma série de fatores relacionados ao ser
humano nas organizações.
Este fator, flexibilidade, tem sido um dos principais
ao se abordar uma pergunta feita comumente por gerentes
e executivos de empresas: sempre que se tem uma sobrecarga
de trabalho (seja ela física, mental ou ocasionada
pelas características da própria tarefa)
o trabalhador irá desenvolver uma lesão?
A resposta é: depende da existência ou
inexistência de mecanismos de regulação.
O que são esses mecanismos de regulação?
Denominam-se mecanismos de regulação
a uma série de fatores que possibilita a retomada
do equilíbrio da integridade física/cognitiva/mental
ou tensional. Alguns fazem parte da própria estrutura
de personalidade do trabalhador, outros estão
na esfera da própria ambientação
social do trabalho e outros ainda estão na esfera
das relações de trabalho.
Mecanismos de regulação dependentes
do próprio trabalhador
Os mais importantes são:
O
perfil psicológico mais calmo, fleumático
- São pessoas que, mesmo diante de dificuldades
e de pressões, não se tensionam excessivamente,
mantendo uma atitude mental de desprendimento em relação
à possibilidade real de obtenção
de um resultado; caso percebam não ser possível,
simplesmente não se preocupam com o impossível.
A
experiência na solução de dificuldades
do trabalho - Como uma regra geral, a pessoa mais
capaz sofre menos tensão e sobrecarrega menos
seu sistema osteomuscular no trabalho por três
motivos: primeiro porque sua condição
de execução do trabalho é melhor
do que a média e, por isso mesmo, sua capacidade
de atender às exigências impostas pelo
trabalho é melhor; segundo, porque diante de
dificuldades reais ela terá melhores condições
de conduzir a solução, tensionando-se
menos. E terceiro porque seus movimentos são
feitos seguindo um padrão gestual melhor, com
menor sobrecarga das estruturas. Deve-se ainda adicionar
um outro fator a explicar porque os trabalhadores mais
experientes têm pouca lesão: eles sabem,
bem melhor do que os novos, usar os mecanismos de regulação
da própria empresa (Serviço Médico)
ou mesmo aqueles externos à empresa (sindicato,
fiscalização do trabalho e médicos
fora da empresa).
Possibilidade
de se atrasar - Quando existe essa possibilidade,
o indivíduo passa a ter alguma margem de manobra
ao perceber a sobrecarga, descansando e deixando para
terminar o trabalho numa ocasião ou num instante
em que se sinta melhor capacitado.
Experiência
com a procura de outros mecanismos de regulação
- um dos mais freqüentemente procurados é
o Serviço Médico, onde o trabalhador consegue
ser colocado em posição de trabalho de
menor exigência enquanto estiver sentido os sintomas
da sobrecarga.
Mecanismos de regulação dependentes da
própria área ou do próprio trabalho
Os mais importantes são:
Rodízio
nas tarefas- Durante o mesmo, as exigências
dos grupamentos musculares ou mesmo a exigência
tensional alternam-se, propiciando repouso das estruturas
antes muito exigidas.
Pausas
de recuperação - Durante a mesma,
caso esteja fazendo trabalho manual repetitivo, o indivíduo
pode aliviar a sobrecarga mecânica sobre seus
tecidos; caso esteja fazendo um trabalho estático,
pode possibilitar melhor circulação do
sangue em seus músculos; caso esteja trabalhando
de pé, pode se sentar e permitir uma melhor circulação
do sangue para os músculos das pernas; caso esteja
fazendo um trabalho intelectualmente muito exigente,
pode descansar a mente alguns instantes. Caso esteja
trabalhando numa linha de montagem, a pausa curtíssima
existente após cada ciclo de trabalho pode significar
a diferença entre o desenvolvimento ou não
de lesões ou distúrbios. Nas pausas médias,
os exercícios de distensionamento e de alongamento
funcionam como facilitadores da recuperação
da sobrecarga.
Possibilidade
de regulação interna entre os próprios
trabalhadores - trata-se de uma das melhores formas
de regulação e prevenção
de distúrbios, pois nessas circunstâncias,
quando se sente cansado ou eventualmente no início
de um dolorimento, o trabalhador solicita ao colega
que faça a tarefa para ele e, nesse acerto dentro
do próprio grupo, evita-se a sobrecarga.
Ambiente
psicossocial favorável - Nessa circunstância,
o trabalhador terá condições de
referir seu cansaço e, até mesmo, de discutir
eventual queixa de dor, abordando-se construtivamente
a situação de sobrecarga ou tensão.
Além do mais, num ambiente psicossocialmente
favorável, trabalha-se mais relaxado, menos tenso.
Ambiente
de apoio - Sentir apoio dos superiores ou dos colegas
torna o trabalhador menos tenso, mais calmo, diante
das dificuldades.
Alívio da pressão pelas chefias
- Chefias capazes de amortecer as pressões exageradas
vindas de níveis superiores da hierarquia certamente
cumprem o papel de regulação e evitam
tensões excessivas nos níveis inferiores.
As chefias costumam ter consciência da distância
geralmente existente entre a prescrição
do trabalho e a condição para a execução
do mesmo e por isso mesmo, muitas vezes, elas próprias
tratam de aliviar a pressão ao ponderar o possível
e o não possível, não repassando
a pressão que recebem.
Existência
de algum estoque - Possibilita algum distensionamento
em situações de premência de entrega
do trabalho.
Periodicidade
da cobrança - Cobranças em curto intervalo
tornam a pessoa muito tensa; cobranças em intervalos
maiores dão margem maior à regulação
da tensão. Linhas de produção muito
apertadas e nas quais a execução da tarefa
seguinte depende da realização da anterior
costumam tensionar bastante devido ao curto intervalo
de cobrança aplicado de forma repetitiva.
Possibilidade
de mudança da posição do corpo
ou do tipo de trabalho - Mudar a posição
do corpo ou praticar o rodízio nas tarefas coloca
em repouso o segmento corporal envolvido em esforço,
propiciando distensionamento.
Mecanismos de regulação dependentes
da empresa
O mais importante é o Serviço Especializado
em Segurança e Medicina do Trabalho. Sendo inerente
ao trabalho dos profissionais desse setor preservar
a saúde do trabalhador, muitas vezes o mesmo
denuncia situações de sobrecarga, exigências
repetitivas, eliminação das pausas, carga
exagerada de trabalho. E também afasta os trabalhadores
da exposição exagerada quando os mesmos
começam a sentir os sintomas da sobrecarga.
De certa forma, a consultoria externa em Ergonomia
funciona como um mecanismo de regulação.
É como se fosse uma espécie de superego,
que indo à empresa periodicamente e auditando
as práticas, acaba por zelar pela dissipação
das tensões e sobrecargas, evitando excessos.
Mecanismos de regulação extrínsecos
à empresa
São a fiscalização do trabalho
e os sindicatos, que, em seu papel, irão observar
de perto as práticas da empresa, coibindo abusos
geradores de sobrecarga. Mais recentemente, esse papel
de regulador extrínseco tem sido desenvolvido
também pelos promotores de justiça, através
do Ministério Público do Trabalho.
A anulação dos mecanismos de regulação
e a alta incidência de DORT
Certamente um dos grandes fatores envolvidos na alta
incidência de DORT nas organizações
nos últimos tempos foi a gradativa eliminação
dos mecanismos de regulação acima citados.
Assim,
O desaparecimento das pausas e dos poros- A pausa,
fundamental para manter um atleta em atividade durante
toda a competição, tão necessária
em atividades repetitivas para possibilitar um fluxo
sangüíneo adequado aos tecidos sobrecarregados,
e de importância tão destacada pelo próprio
Taylor desde o início do século XX, costuma
ser o maior dos tabus. Ao contrário, tem havido
um movimento de intensificação da taxa
de ocupação do trabalhador na função,
através das técnicas de células
em que o trabalhador tem que fazer mais e mais funções
e, através de reedição de técnicas
de cronometragem do trabalho, atualmente embutidas em
kaizen irracionais, preocupados com a redução
de tempos não produtivos a qualquer custo . Também
o downsizing e a reengenharia contribuíram para
uma plena ocupação das pessoas, com pouquíssima
possibilidade de alívio da demanda neuromuscular
dos movimentos e das posturas forçadas no trabalho.
Desaparecimento
da possibilidade de estoque - As técnicas
do just-in-time baseiam-se exatamente nisso, reduzindo-se
assim a possibilidade da prática de algum alívio
dado pela formação do estoque.
Anulação
da representação dos trabalhadores
- A prática de desestimular a participação
sindical (compatível com o modelo de relações
de trabalho conhecido como escola californiana) termina
por gerar uma fragilidade no papel regulador desse ator
social. Também compatível com tal prática
é a mudança de empresas para regiões
"verdes", onde o sindicato ainda é
incipiente.
Diante de situações de carga de trabalho
acima da capacidade operativa da mão-de-obra,
ou em que o nível de tensão imposto no
trabalho esteja bem acima do limite de tensão
normalmente suportável pelas pessoas, a existência
de mecanismos de regulação pode significar
a inexistência de problemas. Sua eliminação
pode ser um ponto determinante na ocorrência de
lesões. E pode explicar por que em algumas áreas
da empresa existe alta incidência de DORT ou de
estresse, e em outras, com processo operacional semelhante,
não.
DICAS PARA VOCÊ CONDUZIR
TREINAMENTOS DE ERGONOMIA NA EMPRESA - PARA TRABALHO
INDUSTRIAL
Hudson de Araújo Couto
A prática da Ergonomia é, essencialmente,
um trabalho interdisciplinar. Nós, do Serviço
Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho,
não conseguimos, sozinhos adotar as soluções
adequadas. Para uma análise ergonômica
adequada e, conseqüuentemente, soluções
corretas, é fundamental a participação
de pelo menos mais 3 integrantes: o trabalhador experiente,
o supervisor ou facilitador da área e o engenheiro
ou técnico que entendam da máquina e do
processo. Mas nesse ponto, para que esses outros parceiros
possam dar contribuições efetivas e conduzir
corretamente as soluções, é fundamental
que tenham conhecimento básico de Ergonomia Aplicada
ao Trabalho.
O treinamento de Ergonomia, aplicado para todos os
gestores e facilitadores, para todos os engenheiros
e técnicos e para todos os trabalhadores possibilita
dois grandes objetivos: formar uma massa crítica
sobre o assunto (fundamental para a perpetuação
da Ergonomia enquanto valor naquela organização),
gerar a "ergomania" (em que todos passam a
estar atentos a sutilezas dos postos de trabalho, de
melhorias possíveis, muitas delas simples e fáceis)
e a condução adequada dos estudos de melhoria
das condições de trabalho em situações
mais complexas.
Como conduzir um treinamento de Ergonomia de forma
eficiente?
1- O que abordar
É muito importante que o conteúdo a ser
abordado seja de alta aplicabilidade para a platéia.
Nesse número abordaremos o conteúdo básico
para treinamentos de pessoal da área industrial
das empresas.
O conteúdo é dividido em 3 etapas: (1)
Mostrar as 12 situações anti-ergonômicas
básicas para o ser humano no trabalho; (2) Explanar
sobre os 10 princípios de uso correto do corpo;
(3) Informar e esclarecer quanto aos 10 princípios
da solução ergonômica.
As 12 principais situações anti-ergonômicas
São elas:
1- Fazer esforço muscular excessivo.
2- Corpo fora do eixo vertical natural.
3- De pé, parado, durante a maior parte da jornada.
4- Trabalhar com os braços acima do nível
dos ombros.
5- Pequenas contrações estáticas,
porém mantidas por muito tempo.
6- Sentado, em posição estática
ou forçada.
7- Movimentar, carregar e levantar cargas muito pesadas.
8- Esforços longe do corpo.
9- Esforços feitos com a coluna torcida e fletida
ao mesmo tempo.
10- Alta repetitividade de um mesmo padrão de
movimento, sem o devido tempo de repouso.
11- Posições forçadas do punho
- fletido, estendido e em desvio ulnar
12- Posições forçadas do ombro,
especialmente abdução.
É importante que o treinador tenha uma boa base
de biomecânica para justificar por que as situações
acima são inadequadas no trabalho. Também
é importante ilustrá-las com situações
da própria empresa.
Os 10 Princípios de Ergonomia no Trabalho
Industrial
É o passo seguinte do treinamento. A assimilação
desses princípios possibilita aos engenheiros,
técnicos e demais participantes do treinamento
modificar o trabalho, tornando-o mais adaptado ao ser
humano.
São eles:
1- Eliminar ou reduzir o esforço humano onde
houver esforço excessivo.
2- Eliminar as situações de esforço
muscular estático.
3- Altura adequada dos postos de trabalho, de forma
que o corpo trabalhe na vertical.
4- Área de trabalho: entre ombros e púbis.
5- Objetos e comandos dentro das áreas de alcance
das mãos.
6- Escolher a postura correta e possibilitar a flexibilidade
postural.
7- Melhorar a alavanca do esforço, aumentando
o braço de potência e diminuindo o braço
de resistência.
8- Fazer o esforço com a articulação
o mais próximo possível do neutro.
9- Respeitar os limites de levantamento manual de cargas
(23 kg nas melhorias condições e 18 kg
a partir do nível do piso).
10- Trabalhar em ritmo normal.
O instrutor também deve ilustrar esses princípios
com fotografias ou vídeos, de preferência
de realidades de trabalho da própria empresa
ou semelhantes às dela. Em Ergonomia, a referência
visual vale muito, e desperta entre os treinandos duas
respostas positivas: a de perceber idéias que
já tenha tido e a de perceber a possibilidade
real de soluções de problemas semelhantes
aos que tem atualmente.
Os 10 Princípios da Solução Ergonômica
Também é muito importante que os treinandos
tenham noção clara de quando aplicar cada
uma das 10 soluções ergonômicas
descritas a seguir. Esse tipo de discernimento ajuda
na procura da solução correta e torna
o programa de melhorias ergonômicas de baixo custo,
somente exigindo gastos quando realmente são
necessários.
São eles:
1- Eliminação do movimento crítico
ou redução da sua freqüência
na jornada ou redução do tempo na posição
crítica na jornada.
2- Pequenas melhorias.
3- Projeto ergonômico ou adoção
de solução ergonômica conhecida.
4- Rodízio em tarefas com exigências biomecânicas
diferentes.
5- Melhoria do método.
6- Melhoria na organização do trabalho
(na tecnologia, no maquinário, na matéria
prima, no material, no método, no meio ambiente
ou na mão-de-obra - número, preparo, controle
de horas trabalhadas, etc).
7- Preparação física para o trabalho,
ginástica de aquecimento, de condicionamento,
de distensionamento ou compensatória.
8- Orientação ao trabalhador e cobrança
de práticas corretas.
9- Seleção adequada, quando as medidas
anteriores não forem exeqüíveis.
10- Mecanismo de regulação, através
de pausas.
2- Como abordar
O treinamento de Ergonomia para o pessoal da empresa-de
qualquer nível- tem que ser, essencialmente prático,
suportado por conhecimento científico básico.
Assim é que deve-se registrar situações
próprias da empresa, com fotografia de situações
de trabalho, antes e depois de melhorias já implementadas,
também usando bastante vídeo-tapes que
ilustrem bem os esforços feitos de forma inadequada
antes da melhoria e a nova forma de fazer os esforços,
depois da melhoria.
Uma técnica bastante interessante é apresentar,
durante a explanação sobre as 12 situações
anti-ergonômicas básicas, vídeo-tape
ou fotografias para que o próprio pessoal identifique
as condições inadequadas. De preferência,
esse material deve ser da própria empresa. E
discutir com os treinandos sugestões quanto a
melhorias.
3- Tempo necessário
Geralmente bons resultados são conseguidos em
treinamentos que durem 32 horas para membros do Comitê
de Ergonomia, 8 horas para engenheiros e técnicos,
4 horas para supervisores e encarregados e 3 horas para
pessoal operacional em geral.
Há que se utilizar bem o tempo disponível,
evitando divagações desnecessárias
nesses níveis.
Ao final, é sempre importante esclarecer aos
treinandos a forma como a questão ergonômica
está sendo conduzida na empresa, como colaborar
com os comitês existentes sobre o assunto e esclarecer
que eles, trabalhadores, serão envolvidos nas
análises ergonômicas específicas
de suas áreas.
Por fim, é sempre útil identificar aqueles
que demonstrem maior interesse e maior capacidade nesse
tipo de assunto, pois poderão ser auxiliares
eficazes na implantação das melhorias
ergonômicas.
4- Para os Comitês de Ergonomia
No treinamento de membros dos Comitês de Ergonomia
é sempre importante dar um exercício prático
de análise ergonômica do trabalho, discutindo-se
a soluções.
É também importante que esse grupo tenha
uma noção clara dos 4 tipos de problemas
ergonômicos existentes, quanto ao encaminhamento
da solução:
Problema tipo 1 - Simples melhoria (ver, agir, validar
e documentar).
Problema tipo 2 - De solução conhecida,
exigindo algum detalhamento e dotação
orçamentária.
Problema tipo 3 - A solução tem que ser
amadurecida.
Problema tipo 4 - Não tem solução,
geralmente compensável através dos mecanismos
de regulação (rodízio em atividades
diferentes, pausas ou até mesmo seleção
de pessoal).
O discernimento correto em relação a
esse ponto é fundamental para o encaminhamento
também adequado. É importante lembrar
que, tão negativo quanto não resolver
um problema ergonômico, é dar uma solução
intempestiva, às vezes com gastos e tendo que
passar por retrabalho.
No próximo número:
Dicas para o treinamento de Ergonomia - pessoal administrativo.
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